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sábado, 17 de novembro de 2012

O forró ganha sua primeira história de fôlego

livro é formado por biografias curtas de ícones do gênero



Coincide com o ano do centenário de Luiz Gonzaga publicação de O fole roncou: uma história do forró, dos jornalistas paraibanos Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues (Zahar, 467 páginas). Por incrível que pareça, esta é a primeiro “biografia” do coletivo de ritmos nordestinos que Gonzagão e parceiros sistematizaram em meados dos anos 40. Embora bem escrita, fundamentada, esta história do forró se prende ainda basicamente aos nomes mais conhecidos do gênero. O que não é exatamente deficiência dos autores, mas uma consequência do fato do forró ter sempre sido tratado como uma música de segunda classe, da “cabroeira” nordestina. Com exceção de Luiz Gonzaga, a imensa maioria dos forrozeiros, mesmo os do primeiro time, como Dominguinhos, Marinês ou Trio Nordestino, tem poucos discos em catálogo, e quase sempre coletâneas.
E ainda. A imprensa especializada quase não se ocupou do forró. A mais refinada publicação dos anos 50, a carioca Revista da Música Popular, editada por Lúcio Rangel, entre 1954 e 1956, período em que o baião era febre nacional mal cita Luiz Gonzaga. Os fornidos catálogos que as gravadoras lançaram nos anos 60 e 70, recebiam pouca atenção da imprensa. A história do forró é é um quebra-cabeças em que faltam grande parte das peças. Com o pouco que conseguiram Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues realizaram o possível, incursionando por assuntos inéditos em livro. Como é o caso do enfrentamento da censura pelos forrozeiros nos anos 70. A exemplo do que aconteceu com o livro Eu não sou cachorro não, a historia da música brega de Paulo Cesar de Araújo, o enfoque dado ao texto foi no capítulo referente à censura. 
Ora, censores não se limitavam aos subversivos da MPB classe a universitária. Todo mundo tinha que submeter letras e música à banca da censura, que não distinguia Chico Buarque, de Odair José ou João Gonçalves, autor que deu muita dor de cabeça ao Departamento de Censura Federal. Os autores de O fole roncou deram-se ao trabalho de consultar documentos da Polícia Federal sobre à proibição às composições do paraibano João Gonçalves: “Informo que a letra musical de autoria de João Gonçalves está proibida para difusão em rádio, televisão, show e qualquer local público, inclusive casas de venda e discos”. A música em questão era de Pescaria em Boqueirão, um dos maiores sucessos de 1973. O problema estava no refrão: “Ô lapa de minhoca/eita que minhocão/com uma minhoca destas/se pega até tubarão”. 


Confira tudo aqui. http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/noticia/2012/11/04/o-forro-ganha-sua-primeiro-historia-de-folego-62281.php

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